HOMENAGEADO DO MÊS

HOMENAGEADO: Lula Cardoso Ayres, pintor Pernambuco de vanguarda, sua obra impressiona pelas formas. É um iluminado.
Período: 01 de novembro de 2012 a 31 de dezembro de 2012.

CARRO ROUBADO

Durante anos fui bancário, certo dia ao sair do Banco, um colega do trabalho me ofereceu uma carona. Nesse dia aconteceu um fato inusitado.

- Fernando estou indo a Candeias conversar com um amigo, vou passar por perto de sua residência, quer uma carona? Perguntou.

- Claro que eu quero! Caiu do céu essa carona, vou me livrar do ônibus lotado e do trânsito engarrafado. Respondi.

Ele estacionava o carro diariamente próximo a Universidade Católica, como chegava cedo sua vaga estava na mesma rua e quase sempre no mesmo lugar. Fomos conversando sobre as atividades do dia, descontraídos, quando de repente já próximo ao local, ele se deparou com uma situação um tanto desagradável...

- Roubaram meu carro! Exclamou ele.

- Como fulano? Tens certeza? Vamos procurar aqui na rua! Falei.

- Não estacionei aqui próximo a essa esquina, é o local que estaciono todo dia.

- De qualquer maneira eu vou até o final da rua para ver se encontro teu carro já que eu o conheço.

Fui até o final da rua e nada do Kadett roubado, quando voltei ao local que se encontrava, já tinha juntado umas 15 pessoas, entre flanelinhas e curiosos. Ele quase chorando, aperreado com o ocorrido, ficou na dúvida se voltava ao banco para fazer uma ligação ou procurava um telefone público (orelhão). Naquela época ainda não tinha essa coisa de celular como hoje.

- Moço, aqui próximo a duas ruas tem uma delegacia, o senhor pode prestar queixa lá! Disse um flanelinha.

- Não! Vou logo fazer uma ligação para o 190 da Polícia Militar, pois eles passam o rádio para as viaturas e 
se virem o meu carro já recuperam. Vou avisar ao pessoal do banco e depois vou à delegacia. Vamos Fernando aqui na esquina da outra rua que tem um olherão, ligarei de lá.

- Vamos então!

Chegando lá, ele ligou para o Banco e informou a para outro colega nosso e solicitou que avisasse a quem 
ainda estava trabalhando. Ligou para o pai dele. Nisso tinha junto da gente dois flanelinhas que ficaram preocupados, pois isso podia tirar a freguesia deles. De repente, ele gritou:

- Meu carro!

- Onde? Perguntou o flanelinha.

- Lá do outro lado da rua!

Num sorriso com as lágrimas nos olhos ele desligou o telefone e foi abrir o carro. Os flanelinhas se abraçaram. Eu ainda perplexo com o esquecimento dele, descobri que ele tinha esquecido onde tinha estacionado o carro, mas lembrou do olherão porque quando deixou o carro lá durante a manhã, tinha uma loira linda e de um corpo deslumbrante telefonando.

- Que lapa de Loira!